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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

The Kooples lança série de vídeos com casais para a première do inverno 2011

A relação entre moda e música faz história (e estilo, – vide o o editorial Mixtape em cartaz na Criativa desse mês). Com este link, a The Kooples lança coleções inspiradas nos códigos do rock aliados a uma pegada superandrógina. A marca é sediada em Paris, mas essa essência foi captada do cenário musical de Londres e, além da etiqueta os diretores criativos mantêm projetos além moda.

Além de dissecar o estilo dandy rocker, a grife criou o The Kooples Records, que recebe trabalhos de novos artistas e os ajuda na produção e no lançamento de álbuns. Outra sacada inovadora foi lançada nessa temporada. A ideia foi usar o trocadilho do nome para registrar uma série de vídeos com casais reais. São sete duplas contando histórias fofas e, claro, vestindo os looks do inverno 2011 da label franco-britânica. Outro dia eu postei aqui as fotos do editorial, com o Top Alex Cunha.

Esses dois vídeos são os mais legais da lista. Conheça o casal de meninos Laurie & Max no filme abaixo.



A descolada dupla Jonas & Venus:

E o Top Brasileiro Alex Cunha & Maud:


quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Curta "Não Gosto dos Meninos" traz histórias de gays contra o preconceito


Inspirado nos depoimentos dos funcionários da Pixar para a campanha norte-americana "It Gets Better", contra o bullying homofóbico, o publicitário André Matarazzo (foto), 36, dono da agência digital Gringo, resolveu produzir o curta "Não Gosto dos Meninos", com histórias nacionais sobre preconceito. O filme, que tem estreia prevista para maio, reúne depoimentos de 40 pessoas, entre gays e lésbicas, que contam suas histórias de discriminação e superação.

Em entrevista ao site A Capa, André fala sobre o projeto e diz que seu objetivo é mostrar para os outros que a homossexualidade não é algo "moldado pela sociedade do século 19". "Queríamos juntar essas pessoas que têm vidas diferentes e colocá-las frente às câmeras para relatarem o que passaram e como atravessaram esse período mais difícil, até chegarem ao ponto atual de total aceitação e de muita felicidade com a vida", explica o publicitário.

Ao final da entrevista, você assiste ao trailer do curta.

Como surgiu a ideia do projeto "Não Gosto dos Meninos"?
Vendo o "It Gets Better" da Pixar. Queria fazer na [agência] Gringo, mas havia poucos gays e ficaria desinteressante. Daí resolvemos abrir para todos, chamar conhecidos, que chamaram conhecidos, e o resto é história - acabamos com 40 pessoas que puderam se comprometer com a data da gravação.

Como "It Gets Better" inspirou vocês a desenvolver o curta-metragem? Os idealizadores da campanha norte-americana contribuíram de alguma forma para o filme?
Não, fizemos sozinhos. O projeto americano chamava grupos de pessoas ou indivíduos a gravarem seus depoimentos, e nós também acabamos gravando - não era necessário o contato direto com a instituição.

A mudança de conceito foi que, originalmente, "It Gets Better" tenta mostrar como se entender gay é difícil, mas que as coisas depois se encaixam, que não se deve perder a esperança e devemos nos moldar nos exemplos que vemos nos vídeos. Aqui temos um problema adicional que é como a mídia normalmente retrata o homossexual de forma muito simplificada e estereotipada.

Queríamos juntar essas pessoas que têm vidas diferentes e colocá-las frente às câmeras para relatarem o que passaram e como atravessaram esse período mais difícil, até chegarem ao ponto atual de total aceitação e de muita felicidade com a vida. E esse foi o motivo principal pelo qual as pessoas participaram: mostrar a meninos e meninas que questionam sua orientação sexual que a escolha não é ser um ser moldado pela sociedade do século 19 ou um ser bizarro estereotipado. Tem muitos caminhos e tipos de gente.

Pode me falar um pouco sobre a equipe envolvida no projeto?
Eu tive a ideia de fazer o vídeo e passei a ideia para o Gustavo [Ferri], que é nosso parceiro em vários projetos de publicidade. Ele adorou a ideia, a causa, e resolveu participar produzindo o vídeo. E ficou lindo.

O trailer traz diversos depoimentos de gays, num formato documentário. O filme será assim também? O que você já pode adiantar sobre ele?
Sim, o filme será neste formato do trailer, só que mais longo (estamos pensando entre 10 e 15 minutos) e entrará na vida e nos momentos de cada um com muito mais foco. Mas existe uma linha que costura tudo isso, os desafios são parecidos, é muito interessante.

Quais serão as estratégias de divulgação do filme? Ele vai estrear em circuito nacional ou apenas na web?
Só na web. Queremos democracia e que a mensagem seja vista por muita gente.

Vocês, idealizadores, também são gays? Suas histórias pessoais motivaram de alguma forma a realização do curta?
Eu sou, mas o Gustavo não é. Minha história pessoal me motivou totalmente, tanto que estou no filme [André surge aos 1'27", de camiseta cinza]. Tive um grande orgulho em puxar esse povo todo a se abrir.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Globo e SBT vetam homossexuais por conservadorismo da audiência

*Andres Kalikoske e Jonathan Reis


O casal homossexual de “Insensato
Coração” teve sua história esfriada.


Os homossexuais nunca estiveram tão presentes na telenovela brasileira como em 2011. Para além do clichê que tradicionalmente é construído, autores da Globo e do SBT têm se esforçado para apresentar na TV aberta um cotidiano muito próximo da realidade destas minorias. Isto envolve construção de personagens não estereotipados, submetidos a contextos que, no folhetim televisivo, antes pertenciam exclusivamente ao universo heterossexual.

A evolução no discurso é mérito da genialidade dos novelistas, que identificaram o momento propício para renovar seus núcleos a partir de abordagens inovadoras, mesmo limitadas ao que é admissível em veículos massivos como a televisão. Novela com o maior número de personagens homossexuais dos últimos anos, Insensato Coração (Globo, 21h10) possui gays bem-comportados que enfraquecem a mitologia da promiscuidade. Ainda que em menor medida, Amor e Revolução (SBT, 22h15) recentemente também surpreendeu, ao exibir um beijo de língua entre mulheres. A surpresa maior ficou por conta da emissora que a exibiu, sabidamente despreocupada com inovações em sua teledramaturgia.

No entanto, como grande parte da audiência de ambas novelas ainda é conservadora, não tardou para que as emissoras recuassem na temática. Na Globo, Gilberto Braga e Ricardo Linhares foram convocados para uma reunião emergencial com a direção da emissora, que solicitou aos autores que acalmassem os anseios dos personagens homossexuais. No SBT a ordem partiu diretamente de Silvio Santos ao autor Tiago Santiago, que foi aconselhado a desfazer um casal de rapazes em vias de se formar e que seria o responsável pelo primeiro beijo homossexual entre homens em uma novela nacional. Foram cortadas também cenas já gravadas que mostravam a ambiguidade sexual de um jovem padre.

Pai e filho espancados

Os discursos abordados em novelas não raramente estão condicionados a pesquisas de opinião, sendo estes os indicativos responsáveis pelo avanço ou recuo de determinado personagem. Pelo impacto gerado por uma novela do prime time da Globo, Insensato Coração pode ser considerada a mais positiva tentativa de apresentar ao telespectador ortodoxo uma realidade talvez desconhecida. Apesar da negativa aos personagens homossexuais revelada pelas pesquisas, a novela de Braga e Linhares nutre-se de uma realidade muito presente na vida cotidiana. Neste momento cumpre, inclusive, um importante trabalho de divulgação da homofobia, termo introduzido nos anos 1960 para explicar a aversão, ódio e demais níveis de discriminação contra homossexuais.

Para abordar a questão, os autores construíram cenas em que os personagens gays são perseguidos e violentados. A carga de realidade presente nos capítulos finais de Insensato Coração foi inspirada no caso de três estudantes homossexuais vítimas de homofóbicos que utilizaram lâmpadas fluorescentes para agredi-los. A violência gratuita virou manchete nos principais veículos de comunicação, uma vez que câmeras de segurança capturaram o exato momento da agressão. Mais recentemente, pai e filho confundidos com homossexuais foram espancados na rua, no momento em que se abraçavam. Enquanto o adolescente desmaiou com os golpes que sofreu, o homem de 42 anos teve parte da orelha decepada.

O crime dos skinheads

Não se pode negar que os meios de comunicação massivos foram co-responsáveis por midiatizar uma espécie de categorização da sexualidade humana. Em escala global, imagens de mulheres extremamente masculinizadas e homens feminizados colaboraram para a formação simplificada e caricata dos homossexuais. O poderio das igrejas, detentoras de infinitas outorgas de emissoras espelhadas pelo território nacional, aponta para a propagação deste mesmo discurso nos próximos anos.

Acostumada a ser crucificada por extremistas religiosos, a senadora Marta Suplicy (PT) recentemente revisou seu antigo Projeto de Lei da Câmara (PLC), disposto a criminalizar os homofóbicos. A proposta original batia de frente com membros da bancada evangélica e grupos chamados pró-família. Na verdade, algumas comunidades religiosas assumiram temer medidas como a prisão de seus membros, no caso de pronunciamentos contra os homossexuais. No entanto, uma nova proposta - ora redigida em comum acordo com a Associação de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ALGBT) - focou na violência contra os homossexuais, chegando mesmo a ser defendida pelo senador religioso Magno Malta (PL).

Assim como aconteceu com a Lei Maria da Penha, estima-se que a proposta seja batizada de Lei Alexandre Ivo, em homenagem ao adolescente de mesmo nome, assassinado pelo fato de ser gay. Alexandre Thomé Ivo Rojão, então com 14 anos, foi sequestrado, torturado e assassinado no município de São Gonçalo (RJ), em 2010. O crime foi praticado por skinheads, uma espécie de seita conhecida por odiar os homossexuais e que ainda pode ser vista cometendo atrocidades na novela das nove.

*[Andres Kalikoske e Jonathan Reis são, respectivamente, jornalista e doutorando em Ciências da Comunicação na Unisinos, onde coordena o Núcleo de Análise da Teledramaturgia (NAT); e graduando em Publicidade e Propaganda e pesquisador do NAT na mesma instituição]


55% dos brasileiros é contra união estável


A maioria dos brasileiros é contra a união estável de casais homossexuais, autorizada desde maio pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com pesquisa realizada pelo Ibope Inteligência, divulgada quinta-feira (28), 55% da população não aprova a união entre pessoas do mesmo sexo.

O percentual é o mesmo quando o assunto é a adoção de crianças por casais homossexuais: 55% dos brasileiros são contra e 45% a favor. O levantamento mostra que, nos dois casos, a resistência é maior entre os homens, os evangélicos, os mais velhos, pessoas com menos escolaridade e de classes mais baixas. Nessas categorias, os índices de rejeição às causas homossexuais são maiores.

Em relação à união estável, por exemplo, 63% dos homens são contra, enquanto entre as mulheres o percentual é 48%. Entre os jovens de 16 a 24 anos, 60% são a favor da decisão do STF, ao mesmo tempo em que apenas 27% dos entrevistados com mais de 50 anos têm a mesma opinião. Na população evangélica, o percentual de rejeição à união estável entre gays é de 77%.

Entre as mulheres, 51% são a favor da adoção de crianças por casais homossexuais, enquanto apenas 38% dos homens se dizem favoráveis a essa possibilidade. Nesse tema, a maior resistência está entre as pessoas com mais de 50 anos, categoria em que 70% são contrários à adoção por casais gays, e entre os evangélicos, na qual o percentual chegou a 72%.

Apesar de a maioria ser contrária ao casamento e à adoção de crianças por pessoas do mesmo sexo, a pesquisa mostra que no dia a dia os brasileiros têm posturas mais tolerantes com os homossexuais. O Ibope perguntou qual seria a reação dos entrevistados se o melhor amigo revelasse ser homossexual. A grande maioria, 73%, respondeu que não se afastaria do amigo, 14% se afastariam um pouco e 10% disseram que se afastariam muito. A resistência é maior entre os homens: entre eles, o percentual dos que se afastariam em algum grau de um amigo que se declarasse gay é de 35%, ante 20% das mulheres.

O instituto também questionou os entrevistados sobre a aceitação de homens e mulheres homossexuais trabalhando como médicos no serviço público, policiais e professores de ensino fundamental. De acordo com o Ibope, 14% dos brasileiros são, em algum grau, contrários à presença de médicos homossexuais, 24% têm restrições ao trabalho de gays como policiais e 22% são contra homossexuais trabalhando como professores de ensino fundamental. (Luana Lourenço/ABr)

Texto: Jornal da Imprensa On Line

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Carta aberta do Ser-Tão

Ser-Tão é um núcleo de estudos e pesquisas em gênero e sexualidade, vinculado à Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Federal de Goiás. Criado no final de 2006, o Núcleo tem como missão a produção e a divulgação de conhecimentos voltados à promoção da eqüidade de gênero e à garantia dos direitos sexuais.

Composto por professores, estudantes e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento e por representantes de entidades civis que atuam na área de gênero e sexualidade, Ser-tão desenvolve atividades caracterizadas pela interdisciplinaridade, mantendo uma interface com a sociedade, por meio de reuniões regulares abertas ao público em geral.



Goiânia, 03 de junho de 2011

CARTA ABERTA DO SER-TÃO

NÚCLEO DE ESTUDOS E PESQUISAS EM GÊNERO E SEXUALIDADE

UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS

INDIGNAÇÃO DIANTE DO VETO PRESIDENCIAL AO

MATERIAL EDUCATIVO DE COMBATE À HOMOFOBIA NO BRASIL

Em fins de 2010, divulgamos o relatório da pesquisa “Políticas públicas para a população LGBT no Brasil: um mapeamento crítico preliminar”, disponível em www.sertao.ufg.br. Dentre outros resultados, o relatório apontava para uma triste constatação no que diz respeito à cidadania e aos direitos humanos da população LGBT: nunca se avançou tanto e o que se tem hoje é praticamente nada. O relatório também sinalizava que as políticas públicas para este segmento ainda eram muito frágeis e pouco institucionalizadas, tendo em vista a) a ausência de respaldo jurídico que assegurasse sua existência como políticas de Estado, livres das incertezas decorrentes das mudanças na conjuntura política, da homofobia institucional e das pressões de grupos religiosos fundamentalistas; b) as dificuldades de implantação de modelo de gestão que viabilizasse a atuação conjunta, transversal e intersetorial, de órgãos dos governos federal, estaduais e municipais, contando com a parceria de grupos organizados da sociedade civil; c) a carência de previsão orçamentária específica, materializada no Plano Plurianual (PPA), na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e na Lei Orçamentária Anual (LOA); e d) o reduzido número de servidores públicos especializados, integrantes do quadro permanente de técnicos dos governos, responsáveis por sua formulação, implementação, monitoramento e avaliação.

Em 2008, foi realizada a 1ª Conferência Nacional LGBT, em Brasília, convocada por decreto presidencial, que contou com a participação de representantes dos poderes públicos e da sociedade civil, oriundos de todos os 26 estados do país e do Distrito Federal. A partir das resoluções aprovadas nesta Conferência, foi produzido o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e dos Direitos Humanos LGBT, lançado em 2009. Uma das ações contempladas neste Plano era “criar um projeto de cooperação público-governamental de extensão nas escolas públicas, utilizando produções artístico-culturais com temática de sexualidade, diversidade sexual e identidade de gênero, com recorte de raça e etnia, como forma de educar para a cidadania e inclusão” (Ação 1.2.2). Por outro lado, no Documento Final da Conferência Nacional de Educação, realizada em 2010, consta, entre as inúmeras propostas aprovadas na plenária final relativas à população LGBT, a seguinte: “Garantir que o MEC assegure, por meio de criação de rubrica financeira, os recursos necessários para a implementação do Projeto Escola sem Homofobia em toda a rede de ensino e das políticas públicas de educação, presentes no Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, lançado em maio de 2009” (p. 145, grifamos).

Qual não foi nossa surpresa, então, quando em 25 de maio de 2011 a presidente Dilma Roussef decidiu vetar a divulgação dos materiais que estavam sendo produzidos no contexto do referido Projeto Escola sem Homofobia, após um encontro com parlamentares conservadores vinculados a grupos religiosos. Para expressar nossa indignação diante das graves implicações decorrentes da decisão insensata de nossa presidente, nós, pesquisadoras e pesquisadores do Ser-Tão, resolvemos divulgar a presente carta. É imperativo que seja garantida a laicidade do Estado e a cidadania de todos os grupos discriminados, como solenemente destacado nos votos dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal que, em 5 de maio, reconheceram, por unanimidade, a igualdade jurídica em direitos e obrigações entre casais de pessoas do mesmo sexo e de sexos diferentes.

Não é demais lembrar que a produção acadêmica brasileira e internacional demonstra amplamente, há décadas, que o processo sócio-cultural de produção e reprodução das desigualdades étnicas, raciais, etárias, de classe, de gênero, de sexualidade, sem mencionar as desigualdades regionais, passa pela tentativa de sua naturalização. Uma série de preconceitos a respeito da diversidade sexual, de relações de gênero e étnico-raciais, dentre outros, está fundada em ideologias que buscam justificar desigualdades sócio-culturais baseando-se em supostas diferenças biológicas, orgânicas, inatas. É preciso que se combatam os discursos daqueles e daquelas que, reivindicando de maneira totalitária uma suposta liberdade para a expressão pública de preconceitos, nada mais fazem do que tentar impedir que o debate público em torno do combate à homofobia e garantia dos direitos humanos de pessoas LGBT seja realizado de maneira produtiva e sensata.

Enquanto as políticas públicas no Brasil não forem formuladas e implementadas respeitando-se a laicidade do Estado, continuarão a ser inócuas, crônicas de mortes anunciadas, pois, como disseram muitos sujeitos da pesquisa mencionada no início desta carta, “papel aceita tudo”. Um dos lemas do nascente Movimento LGBT (então chamado de Movimento Homossexual) no Brasil do final dos anos 1970 era “mais amor e mais tesão”. Parafraseando, sugerimos uma nova palavra de ordem, para evitar um retrocesso de décadas na luta pela garantia dos direitos humanos da população LGBT no Brasil: “pela laicidade e mais ação!”. Jamais renunciemos, porém, ao amor e ao tesão.

Fonte: Ser-Tão

Pessoas inteligentes fazem assim, estudam, pesquisam, e fazem valer sua opnião. Concordo plenamente com tudo que foi dito, e ressalto, o Brasil tem que mudar.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Preconceito que nunca acaba.

Desdo início dessa semana to tentando elaborar um post sobre o que anda acontecendo atualmente na sociadade em relação a homofobia. Comentários preconceituosos contra o reconhecimento da união civil homoafetiva, aversão da população contra a proposta do kit-antihomofobia, deputado Bolsonaro e seus conceitos infundados...
Mas não consegui. É dificil falar sobre ignorância e preceitos tão idiotas que estão impregnados na nossa cultura, e na nossa mente.
Mas ninguém melhor pra falar sobre isso, do que quem já sofreu muito e ainda sofre, com tanta hipocrisia. A nossa Top Transexual Lea T está de volta ao Brasil, e participou hoje do Fashion Rio, um desfile no mínimo, transgressor pro país onde vivemos. E ontem, já deu entrevistas, onde abre muito nossas cabeças pro que não vemos, ou fingimos não ver.

Confiram:


'Antes de fazer a cirurgia estou amadurecendo a ideia', diz Lea T

Em entrevista ao G1, a top fala de casos de violência contra transexuai.

Lea T em imagem da campanha de inverno da grife Givenchy. Modelo é uma das preferidas do estilista da marca, Riccardo Tisci.  (Foto: Divulgação)
Lea T em imagem da campanha de inverno da grife
Givenchy. Modelo é uma das preferidas do estilista
da marca, Riccardo Tisci. (Foto: Divulgação)

O casamento gay acaba de ser reconhecido, a androginia está mais do que nunca em alta na moda, mas engana-se quem pensa que tais conquistas tor

naram a vida de pessoas como a top model transexual Lea T mais fácil e cheia de glamour.

Fotografada pelo americano Terry Richardson para a campanha da Blue Man no Posto 9, em Ipanema, no Rio de Janeiro, na tarde da última segunda-feira (30) Lea T diz que não acha "fundamental" não é ser uma modelo transexual. "Já estou com 29 anos e tenho os pés no chão. O importante é passar uma mensagem que não seja só estética mas mostrar que podemos fazer parte da sociedade, que somos parte de um grupo e não p

odemos viver separadas”.

“Existem pessoas que merecem mais do que eu, pessoas que querem frequentar uma faculdade, mas têm medo de serem agredidas. Há pouco tempo, em Baltimore, nos Estados Unidos, uma transexual foi espancada por meninas porque entrou no banheiro feminino do Mc Donald’s. Só pararam de bater quando ela teve uma convulsão. Não muito longe daqui, na Paraíba, não faz muito tempo um transexual morreu depois de levar 30 fac

adas”, desabafa Lea, que diz ter medo de estudar numa faculdade hoje só de pensar na pressão que sofreria por ser diferente.

A filha do ex-jogador Toninho Cerezo assumiu sua sexualidade ao começar a trabalhar como modelo de provas para o estilista Riccardo Tisci, da Givenchy. Ficou famosa ao posar para a campanha da grife. “Eu precisava de dinheiro e o Riccardo m

e convidou para posar. Disse a ele que faria isso com uma condição. Quero que saibam que sou transexual”, disse Lea, que desfila amanhã às 22h de biquíni na Blue Man, no Fashion Rio.

Lea T entre as modelos da campanha da Blue Man fotografada por Terry Richardson em Ipanema.  (Foto: Wallace Barbosa/AgNews)
Lea T entre as modelos da campanha da Blue Man
fotografada por Terry Richardson em Ipanema.
(Foto: Wallace Barbosa/AgNews)

Indefinição de gênero é um problema
Para Lea T, todo transexual enfrenta o dilema da indefinição de gênero. “É uma questão de identidade. Isso é um problema porque você não vive bem com o seu lado masculino, por isso tenta se voltar para o feminino. Tem que estudar muito, fazer muita terapia. Nós não nos aceitamos como somos embora saibamos no fundo que é só corpo. A esperança é que um dia não exista mais o homem e a mulher, só o ser”, afirma Lea, que recentemente adiou a cirurgia que faria para mudar o sexo para julho.

“Muita transexual diz: ‘eu sou mulher’. Ela não é mulher, ela é ela e quer ser algo que não é. Quer ser a caricatura de uma mulher. O importante não é ter vagina ou pênis, mas sentir-se bem como você é”, continua Lea, que fez recentemente uma cirurgia para aumentar os seios. “Qualquer coisa que você faça no corpo é um trauma. O corpo é a caixa da alma. Particularmente não gosto do meu pênis, mas estou aprendendo a conviver com ele. Por isso, antes de fazer a cirurgia estou amadurecendo a ideia”.

Segundo Lea, hoje, a cirurgia de mudança de sexo é mais branda e menos longa. Leva uma hora e meia e no segundo dia o paciente já levanta e anda. “Roberta Close foi pioneira numa época de muito preconceito. Através do meu trabalho, mostro que cada um tem a sua diferença. O respeito é obrigatório”, afirma a top, que se diz chocada com as agressões que sofre na Internet. “Precisei entender porque isso acontece e vi que elas ocorrem com todo o tipo de diferença, como, por exemplo, com meninas que nasceram siamesas ou bebês que vieram ao mundo com problemas sérios de pele. O ser humano é mau, mas não sou eu que vou mudar isso, cabe a todo mundo”, conclui a top, que fica no Brasil até quinta-feira (2), quando volta a Milão, onde mora com o yorkshire Obi.

A modelo Lea T é carregada durante ensaio em Ipanema na segunda-feira (30) (Foto: Wallace Barbosa/AgNews)
Modelo é carregada durante ensaio em Ipanema na segunda-feira (30) (Foto: Wallace Barbosa/AgNews)
A modelo Lea T com o top Marlon Teixeira, no ensaio em Ipanema, na segunda-feira (30).  (Foto: Wallace Barbosa/AgNews)
A modelo Lea T , no ensaio em Ipanema, na segunda-feira (30). (Foto: Wallace Barbosa/AgNews)

Foto de Lea T arrasando no Fashion Rio:


É esse tipo de atitude que temos de ter no Brasil. Não há mais espaço pra repressão, e nunca nem deveria ter existido.